segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

RESPINGOS DE PRATA.

Cheguei em casa agora, 
Encontrei um broto de flor,
Que plantei faz algum tempo.
Nasceu rósea, delicada,
Vou cuidá-la com carinho,
Cantar ao lado dela, baixinho...
Ela se abrirá feliz!
Minha flor é o meu amor,
E eu, sou o grande amor dela!

domingo, 6 de dezembro de 2015

RESPINGOS DE PRATA.

E quando te encontrei, faceira,
dançando com outro na festa,
parti para a minha seresta,
amanheci na quarta feira.
Passou quinta, passou sexta.
E, quando voltei ao baile,
num sábado, enluarado, encontrei
uma loirinha me olhando, sorrindo
faceira, fui tirá-la para dançar.
Colei meu rosto no dela, apertei-a
no meu peito. E, se ainda penso direito,
olhei para a moça passada, (dançando
com outro na festa). Com cara feia me me olhava.
E a loirinha querida me acariciava.
Apertei-a mais no peito, a outra me olhou
de um jeito, pegou seu casaco bonito
e foi procurar outro baile.



RESPINGOS DE PRATA.

Achei meu canto perdido,
nas calçadas, nas madrugadas,
segui cantando baixinho a letra
que havia esquecido e segui
pela noite adentro.
Amanheci, beira de cais.
Cantei meu canto perdido,
falando em lua, amor e mar. 
Fui seguindo pelas ruas,
segui pela cidade a fora,
fui embora e esqueci de voltar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

RESPINGOS DE PRATA.

No meu Cassino encantado, onde vivi guri, ajudando pescadores com as redes do dia a dia,
ganhava cotas de peixes trocando-as no Ponto Chique, por arroz, açúcar, feijão, café e algum naco de charque. Era bom viver assim.
Nas noites de céu escuro saia a pescar linguados, lanternas de carbureto e fisgas de arame de obras.
Quantos com a tal fisga eu pesquei!
Depois, cansado deitava ao pé dos comoros e dormia, coberto num manto de céu.
Acordava com o sol saindo e os ruídos das lebres, tuco tucos, lagartos e pássaros cantadores.
Seguia então para a escola, na entrada da Vila Siqueira, não lembro mais o nome.
Fui feliz dessa maneira e hoje sinto saudade daquela vida sem hora, vivida entre as areias, os pés enfiados no mar. 
Hoje a saudade é grande!
Fui dono de mim menino, coisa que não explico. Aprendi gosto de sal, de vento de maresia, me formei em solidão.
E assim cresci,  tornei-me um homem. Fui forjado à beira do mar!